23/06/2010

O Sentido da Vida


O sentido da vida é passar por ela buscando ajudar o próximo ao mesmo tempo em que se deixa ser ajudado. O ato de ser caridoso não se restringe a fazer doações, mas, sim, dar um pouco de si a quem precisa, seja através de uma palavra amiga, de ouvir um desabafo, de um sorriso ou de uma expressão de carinho.

Sabedoria de almanaque? Pode até ser! O fato é que o individualismo contagia as pessoas e estas só acabam percebendo o quanto se excluíram do mundo quando estão desamparadas e sem ninguém que realmente se importe com elas.

Passando em frente a cristaleira da casa de meus pais algo me chamou a atenção: em meio aos copos e xícaras que nunca são usados, estava o rostinho de uma menina (foto). "Que criaturinha mais linda", pensei. Peguei a foto - tirada há mais de cem anos - olhei seu verso buscando alguma informação e percebi que se tratava de um cartão postal. Aquele rostinho era tão lindo que poderia pertencer a qualquer época! A menina poderia ter crescido e virado uma diva do cinema mudo, uma pin up... Se fosse hoje poderia ser o retrato de uma pop star quando criança.

Dias depois perguntei à minha mãe quem era a menina da foto. "É sua trisavó, Guilhermina Wallosa (1861-1925)", disse ela. "Quando adulta era muito querida pelas pessoas da cidade por sua forte religiosidade - continuou. Rezava para os vivos, para os mortos e para os enfermos, além de tradicionalmente organizar as festas da Igreja". Será este o motivo de sua foto ter virado um cartão postal?

Não estou falando de religiosidade, mas de espiritualidade! As outras vezes em que ouvi o nome de minha trisavó materna o som era tão grandioso que ultrapassava a barreira do tempo, cada sílaba trazia-a de volta à vida. Foi aí que percebi que uma pessoa só será lembrada pela sua doçura e generosidade, pois seus bons sentimentos nunca serão enterrados com seu corpo, mas lançados ao espaço para poderem ser resgatados a qualquer tempo ao ter seu nome pronunciado.

Sendo assim, por que insistir em privar as pessoas de conviverem contigo? Por que fechar-se para o mundo e deixar de compartilhar o pouco que você aprendeu? Sei que o individualista colhe frutos sem sabor, o egoísta farta-se com a amargura, porém querem ser lembrados de alguma forma pela posteridade. Então pare e pense: "Estou ajudando as pessoas trocando experiências ou ajudando a mim mesmo em meu isolamento?".

Rodrigo Moura © 2010 Todos os Direitos Reservados

4 comentários:

Luciano disse...

Rodrigo, parabéns pelo texto. Fiquei tocado por ele! Você retratou a mais pura verdade sobre a vida...
Muito bom!

Pontes disse...

Rodrigo,

Mais uma vez: Parabéns!

Lindo texto!

RoDrIgO MOuRa disse...

Edson, esta emoção surgiu e tive de desenvolver o texto para que pudesse ficar registrada juntamente com a foto. É uma homenagem à querida Guilhermina!!! Abraços.

RoDrIgO MOuRa disse...

Luciano, a ordem de resposta está errada, mas fico contente pelo texto ter te tocado. É muito bom saber quando alguém se identifica com o que escrevemos. Obrigado mais uma vez!