26/06/2010

Onipresente


Sou uma fábula sem lição de moral,
o sonho que não acaba ao despertar.
Sou um conto infantil sem bruxaria,
o sortilégio que não pode ser desfeito
e o sapo que pula para fora do caldeirão da magia.

Nada pode me extinguir,
mesmo que as falsas verdades venham me ferir.
Existo antes mesmo do começo,
caminhando por onde não há tropeço
em direção ao que nunca terá fim.

Sou o efeito verde do absinto,
o canto emitido por uma sereia no oceano.
Sou a canção da flauta de um fauno,
um minotauro correndo dentro de um labirinto
e sou Davi e Golias fundidos como um marciano.

Não sou um globo, nem um quadrado
um cone, nem mesmo uma espiral.
Tenho a força do vento que vira tornado,
a potência do sopro que forma um vendaval
e a leveza da pena de um canário carregada pelo ar.

Sou o fantasma que não causa pavor,
o Houdini que respira como uma baleia.
O lobisomem que virou arcanjo,
a metamorfose que transforma o duende em anjo
e sou a brisa do mar que vai de encontro a areia.

Não tenho corpo ou geometria,
somente pensamento, vontade e harmonia.
Sou eu, sou você, sou nós dois.
Sou todos, sou nenhum e quem vier depois.
Sou o ar dentro de uma bexiga que estourou
e que retorna a atmosfera onde antes me sustentou.

Rodrigo Moura © 2010 Todos os Direitos Reservados

3 comentários:

Luciano disse...

Que poema lindo!!! Adorei!

lucia disse...

Rodrigo ,linda imagem ,casamento perfeito com o texto . E vamos em frente .Não pare de fotografar e escrever .Estamos precisando disso no mundo . Talento voce tem de sobra.

RoDrIgO MOuRa disse...

Luciano! Que bom ter a participação e incentivo da familia neste momento em que as águas se dividem. Obrigado!

Lucia!!! Fico mais que feliz por ter meu pequeno talento reconhecido por uma mulher sensível e atenta como você. Sua opinião é de grande valor! Obrigado de coração.