27/06/2011

Torre dos Ventos


                   Como um dente de leão desfeito pelo ar
                   Que o vento me leve onde quero chegar.

                   Caso Bóreas me sopre para fora do espaço aéreo
                   E Nótus me resgate girando feito um disco etéreo,
                   Que Éolo me mostre os quatro cantos da Terra
                   Carregando-me com o som do Universo
                   Atravessando nuvens transparentes.

                   Projetando-me na cortina de uma noite cintilante
                   Que a ventania me lance como um raio viajante.

                   Caso Eurus me embale nos trovões da tempestade
                   E Zéfiro me desacelere com bafos de suavidade,
                   Que Éolo me leve para dar a volta ao mundo
                   Soprando-me com seu fôlego perene
                   Equilibrando o glacial e o candente.

                   Ilustrando-me num painel com sóis de mercúrio
                   Que a brisa me ensurdeça com seu meigo murmúrio.

                   Éolo invada-me com os cânticos da atmosfera,
                   Com a coreografia dos girassóis em plena primavera.
                   Seja eu movido pelos dedos de sua aura,
                   Pelo ânimo doce e violento de sua alma.
                   Preenchido com a sua potência infinita,
                   Eternizado pela sua lufada...
                   De vida! 

Rodrigo Moura © 2011 Todos os Direitos Reservados

* Éolo, de acordo com a Mitologia Grega, é o deus de todos os ventos. Bóreas (o vento norte, frio e violento), Eurus (o vento leste, criador de tempestades), Nótus (o vento sul, quente e formador de nuvens) e Zéfiro (o vento oeste, suave e agradável) são deuses menores, próprios de cada vento.

3 comentários:

A Poeta de Alcova disse...

Belíssima! Construção poética bem elaborada, criatividade, versos para uma reflexão profunda, adorei! Curti a Mitologia Grega presente.
Esta é uma liberdade para quem tem coragem de se entregar à vida sem limites, sem imposições... passando da superfície para o profundo e o desconhecido que nela existem. A analogia ao vento como condutor é a expressão, para mim, dessa liberdade, disposta a todos os lugares, da forma que for, entregue ao destino, aberto ao inesperado.
Foi assim que senti essa poesia...
Beijo

Anônimo disse...

Amigo, que bela veia poética!!
Gostei da idéia do "vento" que nos remete à liberdade - tema este que adoro. Seu texto me mostra os rumos que o "vento" pode nos levar, mas com um norte e não com liberdade desenfreada, sem destino, ou melhor, com um destino a ser cumprido, com ideais, objetivos e muita "personalidade". Abração.

Anônimo disse...

Esse anônimo ai sou eu...rsrsrsrsr..José Paulo.