27/11/2011

O Caldeirão da Bruxa


                  É enfadonho presenciar atos impulsivos,
                  Ouvir palavras que serão retiradas
                  De casas habitadas por fantasmas.
                  Queria me deslocar de minha teia
                  Para depois cair contente
                  No centro do caldeirão da magia.

                 Universos são construídos e habitados:
                 Preserva-se em fértil imaginação,
                 Desencontra-se em prantos de razão.
                 Queria ser uma tarântula
                 E oferecer-me como ingrediente
                 Ao feitiço de uma bruxa.  

                 A realidade é uma fábrica sinistra
                 Que insere duendes e gnomos
                 Em doces bonecos animados.
                 Se eu fosse um morcego doaria as asas 
                 A um sortilégio que pudesse me reanimar
                 Dentro da fantasia.

                 A verdade pode ser alterada
                 E os valores mascarados às convenções.
                 Amar tem significados controversos
                 Em corações que ainda se constroem.

                 Preciso desesperadamente
                 Voltar para dentro da magia.

                       Rodrigo Moura © 2011 Todos os Direitos Reservados

5 comentários:

Elisabeth Rodrigues disse...

É, parece que a nossa vida, é um duelo desafiador entre o bem e o mal que trazemos conosco .No mundo da imaginação que mergulhamos constantemente ,talvez essas figuras representem nós mesmos ,ora bruxas ,com nosso lado meio obscuro e atraídos pelo que é mágico ,ora anjos com todo explendor ,quando em comunhão com as grandezas deste mundo, quando nos aproximamos da arte ,da beleza que nos cerca ,da poesia , nos condoemos com o sofrimento ou colocamos amor em nossos gestos ..

Rodrigo Moura disse...

Elisabeth, que surpresa a tua visita!
Que linda interpretação tiveste de
meu poema. Fico muito feliz quando
alguém expressa a maneira como sentiu
o que está escrito. Humildemente digo
que gosto de escrever para isso, para
que cada um sinta o que está escrito
de acordo com seu próprio universo.
Fiquei encantado com o teu comentário.
Meu muito obrigado!!!
Abraços.

Evandro L. Mezadri disse...

Belíssima obra, Rodrigo!
Muito direta e reflexiva.
Grande abraço e sucesso!

Rodrigo Moura disse...

Evandro, obrigado!
Que bom que deixou tua opinião
aqui, valeu!
Abraços.

Andréa Freire disse...

Poesia cortante... Adorei! Lembrei do tempinho das nossas poesias na máquina de escrever... beijos.